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terça-feira, 1 de março de 2011

Casa de Ferreiro, Espeto de Pau

Em meados do ano passado fiz uma visita a escola do meu filho mais novo. Ao chegar a recepção me deparei com vários paineis com trabalhos sobre o livro "Vidas Secas" de Graciliano Ramos. Em vários banners os alunos explicavam através de figuras, frases e  pequenos textos,  suas impressões e interpretações a respeito dessa obra.  Fiquei maravilhada e me reportei aos anos de 1977 ou 1978, quando, adolescente, também li e me apaixonei por esse escritor. Surpresa maior ainda quando li em um dos paineis o nome do meu filho como um dos autores do trabalho.


Cheguei em casa feliz da vida e fui então comentar com ele  da minha alegria em saber que havia lido "Vidas Secas". Numa empolgação só, fiz uma avalanche de perguntas: o que achou da história? Da situação dos nordestinos, da seca , do papagaio de estimação  que serviu de alimento para a família, da morte  da cadela Baleia? Meu filho olha pra mim atônito com tantas perguntas e antes que eu continue, fala em alto e bom som: mas eu só li o segundo capítulo. O que? Só um capítulo, por que? Ele responde na maior tranquilidade:  porque meu grupo precisava apresentar somente o segundo capítulo mãe.

Ai gente que vontade de chorar. Como pode uma coisa dessa? Não consegui transferir para esse filho minha paixão pela leitura. Poxa ler só um capítulo pra fazer o trabalho e pronto. Tudo bem, vc pode me dizer que Vidas Secas é um romance que não prende a atenção dos jovens de hoje, que a realidade do Nordeste está muito além da problemática e do universodos nossos adolescentes e por esses motivos meu filho não leu e não se interessou pelo livro. Mas gente, vou  falar a verdade, ser bem realista, meu filho não lê nada, a não ser que seja obrigado. Sei lá, me deu uma tristeza, um sentimento de fracasso. Pode ser exagero, mas foi assim que me senti.

Enquanto isso, depois de uma parada para outras coisas igualmente prazerosas, volto à leitura de mais um do Zuenir. Livro, que ao final de cada capítulo me obriga a parar, pensar, refletir e me invade um desejo enorme de ter conhecido os personagens. Leitura pra mim é isso, lazer, trabalho, prazer, vida.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chico Mendes: crime e castigo


Acabei de ler o livro do Zuenir Ventura, Chico Mendes: crime e castigo, e fiquei com aquele gostinho de quero mais ou com aquela sensação de que a história não acabou. Acredito literalmente que a história não tenha acabado mesmo. Afirmo isso sem nenhum discurso panfletário, mas considerando que a luta de Chico Mendes, e consequentemente sua morte,  trouxe ao mundo um novo olhar sobre os povos da floresta.

Imagem: ebah.com.br

A querida Beth, do Mãe Gaia, sugeriu no post passado, que eu comentasse o livro do Zuenir  e então aqui estou.

A obra trata de reportagens do Zuenir feitas na ocasião do assassinato do Chico Mendes em 1988 e  na época do julgamento, dois anos depois. Em 2003, ao saber do interesse da Editora em publicar um livro com essas reportagens retornou ao Acre (Rio Branco e Xapuri) para  apurar e relata o que aconteceu com  os personagens envolvidos no episódio.


Adorei retomar toda a história de vida do ambientalista e mais ainda sua ideia de um novo olhar sobre a floresta. É perfeita a descrição de Zuenir a repeito do homem, grande líder que chamou, de forma inusitada e inteligente, a atenção do mundo para a causa dos seringueiros e dos defensores da Floresta Amazônica. 

Imagem: fmanha.com.br

Claro que Zuenir não é imparcial nas reportagens que fez. Mas quem o foi  ao tratar de assuntos como,  seringueiros, Floresta Amazônica, Ecologia, Chico Mendes? A impressão que temos é que só havia dois lados: o dos fazendeiros latifundários ou o dos ecologistas. Zuenir deixa claro que de que lado está, mas acima de tudo revela um Chico Mendes, inteligente, estrategista, pacifista, que mais que um pedaço de terra para os seringueiros defendeu uma Floresta preservada para todos.

"Só depois que ele morreu, aos 44 anos, é que o Brasil descobriu haver perdido o que custa tanto a produzir: um verdadeiro líder." Zuenir Ventura