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sábado, 14 de abril de 2012

BC: UM DIA PARA GLORINHA LEÃO

Essa blogagem coletiva é uma proposta da Angela do Ora Pitangas


Perdi a graça com o Blog. Perdi a vontade de entrar, me comunicar e interagir por aqui. Mas hoje volto para homenagear minha querida amiga Glorinha. Nem sei o que dizer, que homenagem pode estar  a altura de pessoa tão especial. Quando em agosto o Bordados e Retalhos completou 2 anos pedi a ela um texto para publicar  aqui e olha a preciosidade que ela me enviou: 


 “Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.”

Trecho da música Força Estranha de Caetano Veloso.


Não sei porque me lembrei dessa música hoje quando a minha doce amiga Gi me pediu que escrevesse um texto para comemorar os dois anos de seu blog: o Bordados e Retalhos. Aliás, sei sim. Sei porque a Giovanna me lembra isso, essa força estranha que vem de algum lugar de dentro de nós e reverbera, inunda, preenche tudo com o seu amor.

É uma força comum a quase todas as mulheres. Uma força tirada da dor, do caminhar, do semear vidas. E o Caetano soube falar disso com maestria: dessa força que nos leva a cantar, a viver, a sonhar, a escrever, a crer que o amanhã será melhor, que a esperança sobrevive apesar de tudo.

Essa força estranha e imensa que nos faz capazes de um amor sem medidas por um filho. Ou capazes de não desistir do sonho de uma vida inteira.

A força geradora. A força motriz. A que corre atrás de qualquer coisa para um filho ser feliz, para deixar a mesa posta, a cama feita, a roupa cheirosa no armário. A que trabalha duro e ainda assim tem tempo para ouvir os desabafos de um amigo. A que tem tempo para abraçar, acarinhar e nem sempre ser acarinhada e engolir lágrimas infinitas à noite, encharcando os lençóis sem que ninguém note. E, que, ainda assim, no dia seguinte nos faz levantar, sorriso no rosto para fazer tudo novamente, mil vezes, milhões de vezes para o bem estar de quem vive à nossa volta. Mesmo inundada de tristeza nos olhos inchados que ninguém percebeu....

O tempo...ele é capaz de ensinar tantas coisas, nos faz nos acostumar até com a dor, com a tristeza e aprender a conviver com ela e a sobreviver, apesar dela. Mas, “a vida é amiga da arte” e a vida da maioria das mulheres que se doam é arte pura. Porque nascemos sabendo que o sol voltará amanhã. E, que ainda que não brilhe, ele está lá, atrás das nuvens, aguardando o momento de voltar a aquecer a Terra e iluminar os caminhos.

Ter a Gi como amiga, daquelas do coração, de alma, é um privilégio. Porque ela, embora não saiba, tem essa força estranha, tem essa voz tamanha. Tem o que chamei uma vez de altivez diante da vida, que só os fortes mantém.

Ela brilha porque é estrela, porque tem um sol catalizador no peito. E, porque é mulher e tem os pés no riacho, tem a sabedoria ancestral que todas nós carregamos conosco e, ainda que pense que não, seu amor ilumina até mesmo quem está longe dela.

Com todo o meu carinho e amizade,

Glória Leão


Glorinha estará sempre no meu coração. Quando ela ficou doente liguei para o celular dela, que estava internada, e a achei animada para enfrentar a doença. Pensei que era somente um período difícil e que ela iria tirar de letra a adversidade. Mas depois fui ficando muito preocupada pois já não respondia aos e-mails, mensagens e  cartões... Mas acho que essa amiga agregou, uniu, juntu, foi tão verdadeira e só posso dizer que ela correspondeu a tudo que sempre esperei dela. Quando nos encontramos no Rio de Janeiro em 2011 foi uma emoção muito forte e aquela alegria guardarei pra sempre. 


Foto de Glorinha no colo de sua irmã Regina. Enviou-me na ocasião em que publiquei a série Eu também já fui um bebê.  Para rever, clique aqui
Saudade, saudade e saudade é só o que tenho pra dizer e quem ficou e se encantou com ela sabe o que estou falando. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Me liga

Que a amizade que a gente faz aqui no universo bloguístico faz um bem danado pra alma, isso a gente já sabe. Só que a palavra virtual tem um peso muito grande na hora de considerar o afeto, a intimidade e a sinceridade dessas relações. Pode ser que eu esteja enganada mas muitas vezes me pergunto se somos realmente o que somos ou nos mascaramos através da página da internet. Nos apresentamos como somos realmente? Existimos mesmo? Claro que existo, sei que existo e estou agora teclando aqui igual a uma doida pois tenho uma mesa cheinha de papéis me esperando pro trabalho. Mas pergunto se a pessoa que escreve aqui é a mesma pessoa que sou nas minhas relaçoes reais.

Bom, filosofias baratas a parte, devo dizer que é mágico o momento em que ouvimos a voz de uma amiga virtual. É mágico e indescritível! A pessoa existe mesmo, é de carne, osso e voz. A partir daquele momento consigo associar o rosto,  que vejo nas imagens que ela deixa no blog, a voz, que eu escutei no telefone. Fantástico!!!

Quando trabalhava no rádio os ouvintes ficavam encantados quando nos conheciam pois, inversamente da experiência que vivi ontem, podiam associar a voz que ouviam em sua casa ao rosto que estavam conhecendo. Ou seja, primeiro ouviam a voz e assim imaginavam um rosto e quando conheciam o radialista pessoalmente tornavam real a voz que ouviam. Entendeu? Não. Então deixa pra lá porque eu as vezes falo cada coisa...

 Eu, conhecia um rosto através de foto, o da Nilce do A Vida de Uma Guerreira, e ontem ouvi sua voz numa carinhosa ligação telefônica. Magico!!

Agora quero ouvir a voz de todo mundo. Se eu pudesse passaria o dia de hoje fazendo ligações para vocês e assim sentiria de novo a emoção de ouvir a voz de alguém que conheço apenas pelas palavras tecladas ou por fotografias e vídeos deixados nas páginas.

Nilce foi maravilhoso conversar com você por 35 minutos no telefone. Alguém pode pedir para baixar a tarifa telefônica dos interurbanos? É que preciso falar com o Alexandre no Japão, com a Manu, em Portugal, com Glorinha, Tati, Isadora, Beth e Sheila e outras amigas no Rio, para Minas, para Goiania, para o  Rio Grande do Sul, para o Recife, Jundiaí, São Paulo.....e ainda tem a Zenaide na India. Caramba vou a falência!!!!!!!!

Claro que é só uma brincadeirinha, mas que é maravilhsoso é. Quem já viveu a experiência de tornar real a amizade virtual, sabe do que estou falando.

Me telefone mais
Eu preciso matar minha saudade
Me telefone quantas vezes for possível
A sua voz sempre me traz felicidade

(refrão da música de João Mineiro e Marciano)


 Beijos