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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Identidade




Identifico-me como a Giovanna do Vianês, aquele a quem escolhi livremente como companheiro. Optei pela família, pelos filhos, por partilhar tudo o que sou e tudo o que tenho. Escolhi ser amada e amar, na mesma medida se possível. Escolhi entregar o corpo, o coração, o desejo e o ensejo a um só homem. Somente fui capaz de fazer essa opção por um grande amor. Um amor acima da dimensão humana. Um amor que antes de tudo é um encontro de almas. Um encontro determinado e abençoado por Deus.

Como mulher e vivendo numa sociedade machista sei muito bem que pertencer a alguém ou a um homem define minha identidade. Também me identifico como a mãe do Vitor e do Vinícius. É claro que também construí minha identidade como profissional, em minhas relações de amizade e em minha comunidade eclesial. Porém posso afirmar com certeza que minha identidade foi alicerçada a partir da escolha do meu companheiro. Foi a partir dessa escolha que me identifiquei como mulher, como mãe e até mesmo como profissional, pois desde então me senti acreditada e motivada a seguir meu caminho.

Pertenço a esse homem e com ele e junto dele construí minha família. Junto dele e motivada por ele fiz outras escolhas. Como gostaria que para ele também as coisas tivessem caminhado na mesma direção. Infelizmente acho que não, pois os homens têm outra forma de encarar e vivenciar as relações. Eu, diferentemente necessito de relações significativas para entender quem realmente sou. Foi essa relação que um dia me fez perceber meu corpo, meus dons, meu potencial. Enfim, a minha beleza como pessoa e como mulher, descobri através dessa escolha. Porque somente o amor fez a mulher que há em mim desabrochar e amadurecer.

É um grande desafio nesse tempo do não se comprometer, ser mulher de um único amor, de uma relação em que se extrai tudo que pode somar e edificar. Mas acima de tudo de uma relação que precisa construir-se todo dia, numa roda viva desafiadora.

A minha vocação é de amar e escrever a minha história a dois, respeitando o tempo, desenhando a vida. É escrever o amor, nos gestos cotidianos com ternura, com atenção, com cuidado comigo e com ele. Ter sempre consciência da presença dele ao meu lado, ter sempre consciência do valor que ele tem para mim e que tenho para ele. O meu coração pede isso, a minha vocação é essa apesar de saber que nem sempre é assim que acontece. As dificuldades, o fazer e o viver com seus atropelos e ruídos interferem muito nessa relação. Uma pena o amor ficar escondido e adormecido às vezes e a paixão não mais fazer parte das ações e dos gestos diários. Que pena!

De qualquer forma tenho certeza que seu rosto, sua presença é porto seguro, refúgio, convite para olhar além. Sou a mulher de um único amor, mas com liberdade para escolher isso. Para escolher o desafio da fidelidade num tempo de relações provisórias.

A escolha que fiz pode parecer complexa aos olhos de uns, pode parecer bem simples para aqueles que cultivam valores como os meus. Às vezes, essa escolha me parece simples e complexa, rosa ou espinho, brisa suave ou tempestade. Porém, são os altos e baixos que de alguma forma e sem explicação temperam a história, determinam e dão o toque de uma dimensão humana numa relação transcendental.


Partilho com vocês o texto escrito em 2008.
Aos queridos e queridas que passam por aqui deixo o meu abraço carinhoso.