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terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Dia Que a Cidade Parou

Fiquei duas horas no trânsito, num engarrafamento descomunal, daqueles que tiram qualquer um do sério. Vitória viu cair a noite de ontem sob o efeito de um assalto, um grande assalto. Infelizmente desses que ouvimos nos noticiários e que têm reféns, feridos e mortos, no nosso caso um morto. Toda a cidade parou e quando a cidade para, param também todas as outras que fazem parte da Região Metroplitana, a Grande Vitória. Veja aqui  notícia sobre o assalto.

Vitória é uma ilha, a Ilha do Mel, a Cidade Presépio, Cidade onde trabalho, nasci e morei. Atualmente moro na cidade de Serra (dá pra ver direitinho aí no mapa,  (de Vitória à Serra são 30 minutos de distância de carro ou  1 hora e 15 min de ônibus)

Marido ligou no meio da tarde preocupado, pois o assalto era  perto, numa loja, na verdade uma ótica onde fiz os meus dois últimos óculos. Pediu que eu tomasse cuidado pois ficou sabendo, já que trabalha numa grande avenida que dá acesso ao Centro, que o Batalhão de Missões Especiais (PM) já estava a postos e que o tumulto era enorme. Não passavam ônibus do município e os que vinham de outros estavam super lotados e atrasados. Saí as 17 h30, logo apareceu o meu coletivo, mas o trânsito não fluiu, tudo engarrafado.

Vitória é uma cidade linda (eu acho), porém mal planejada. E a explicação pode estar aqui:  "A proibição da mineração nas Minas Gerais e a presença de tribos hostis no interior do Estado contribuíram para que o Espírito Santo se mantivesse por muito tempo como uma capitania essencialmente litorânea." Agregue a esse pequeno texto, décadas, séculos de desmandos políticos e descasos. Entretanto informo que as coisas mudaram um pouco nos últimos anos.Costumo dizer que aqui temos uma rua para entrar, uma rua pra sair e um entroncamento que dá acesso a essas duas vias. Se fecham a entrada, logo  a saída estará com problemas também.

Imagem daqui

Ônibus parado, aproveitei para ler o livro que trago sempre na bolsa. Com isso não reclamei, não fiquei xingando o motorista, o carro da frente, o guarda de trânsito. Fiquei tranquila, lendo relaxada. As vezes o corpo cansava de estar na mesma posição por tanto tempo, mas resisti. Por alguns momentos, fechei o livro e rezei (adoro rezar dentro do ônibus). Rezei pelos reféns, pelos feridos e por suas famílias. Voltei a ler, olhei pelo vidro da janela  a cidade recebendo a noite que chegava. Preocupei-me com o horário da reunião que iria  coordenar mais tarde e pensei: cheguarei  atrasada certamente, mas o que é chegar atrasada, se alguém sequer chegará  em casa nessa noite violenta em minha cidade? O que é chegar atrasada  nessa  noite em que mais uma família ficou sem o pai? Voltei a rezar.

Imagem daqui