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sexta-feira, 20 de abril de 2012

4° BookCrossing Blogueiro eu participei

Preparei tudo para participar, reservei livro, fiz  marca página com a explicação. Saí do trabalho rumo a Academia e pensei em deixar lá. Mas vai que alguém acha o entrega no achados e perdidos e ele fica preso lá por um bom tempo. Então fiz a aula de hidro para ao sair deixá-lo  na rua, no banco da praça... Mas quando acabo o banho meu telefone toca e recebo a notícia que um parente muito próximo, meu primo e cunhado, havia falecido repentinamente vitimado por enfarto fulminante. A família desesperada, a filha mais nova dele, que é minha afilhada, com problemas cardíacos era minha maior preocupação, corri pra casa deles.

 Por esse motivo atrasei em dois dias minha participação no BookCrossing Blogueiro, proposto pela Luma. Hoje deixei libertado  o livro na padaria pela manhã. Adorei participar mais uma vez.



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Essa inexplicável paixão pelos livros

Estou com um livro nas mãos. Novinho, cheiroso, daqueles que você se apaixona, a primeira vista, quando o vê na estante. Quando o toca se apaixona ainda mais e quando o folheia e lê as primeiras páginas sente que ele definitivamente ganhou seu coração. Amo livros, adoro ler, não consigo passar os dias sem alguma leitura, não consigo viver sem um livro na bolsa para que a qualquer momento eu o tome nas mãos e sinta, mais uma vez, o prazer da leitura. Nem sei quando foi que descobri essa paixão, mas pode ter iniciado quando, há muito anos, comecei a juntar as primeiras letras, sílabas e palavras.

Detalhe de "Menina Lendo" de Berthe Morisot (1841-1895)

Veja o que Martha Medeiros disse sobre livros e leitura:

“Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encostá-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. (…) Gosto do barulho das paginas sendo folheadas. Gosto das marcas de velhice que o livro vai ganhando: (…) a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros.”
Martha Medeiros

Agora pergunto: como transmitir essa paixão para os outros? Eis o meu dilema, meu desafio.

O livro que estou lendo:
As Observações
Autora: Jane Harris
Editora: Record
Assunto: Literatura Estrangeira - Romances
Tradutor: Marcello Rollemberg
462 páginas

Resenha: Escócia, 1863. A jovem irlandesa Bessy Buckley torna-se criada em uma propriedade rural em Edimburgo. Por saber escrever, é eleita a favorita da patroa, Arabella Reid. Intrigada com a insistência de Arabella em que ela mantenha um diário relatando desde as tarefas mais frívolas até seus pensamentos mais reservados, Bessy logo se vê explorando o mundo de segredos de Arabella, segredos que ocultam as misteriosas circunstâncias da morte de Nora, sua predecessora no Castelo Haivers. Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/97917-as-observacoes



Na terça feira esse bloguinho comemora 2 anos. Teremos surpresa e sorteio, espero você na minha festa.
Bjs

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Noticias minhas e Notícia de um sequestro do Garcia Márquez

Gente, quanta coisa pra fazer. Tenho muito trabalho aqui e um projeto para ser executado em  6 meses.  A Secult - Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo abriu um edital para projetos de preservação de acervos. A Diovani Favoreto e eu enviamos um  para tratar as fotos aqui do Centro de Documentação e tiramos o primeiro lugar (aqui o resultado). Você verá meu nome como contemplada mas não posso ignorar toda a ajuda da Diovani na elaboração  do trabalho. Agora estamos esperando a verba chegar para arregaçar as mangas.

Mas hoje quero falar de um livro do Gabriel Garcia Márquez que li: Notícia de um sequestro.


Não é um romance, mas uma história baseada em fatos reais vividos na Colômbia na década de 90: o sequestro de 10 pessoas, entre eles jornalistas influentes, que culminou em tragédia  (morte de sequestrados) e na rendição de Pablo Escobar, na época chefão do Cartel de Medellín. O objetivo do traficante, com os sequestros era impedir a extradição dele mesmo e de seus amigos criminosos para os Estados Unidos.  Além de narrar muito bem toda a história,  com detalhes impressionantes, o livro é também importantíssimo do ponto de vista social. A história é apresentada sob a ótica das vítimas e do próprio  Pablo Escobar. Gostei muito e recomendo.

Beijos

P.S. Estou as voltas com a cozinha que o marceneiro prometeu entregar dia 28/07 (será?) e na compra dos utensílios vermelhos (caramba, tudo tão caro).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sugestão de Leitura

Oi queridos e queridas, inicialmente quero perdi r perdão pelo sumiço. Gente, quanto trabalho!!Ufa! estou organizando o Curso Anual de Arquivo para Secretárias e Secretárias e quero sempre fazer o melhor possível para corresponder ás expectativas dos cursistas. Hoje tenho uma palestra na UFES para alunos do Curso de Arquivologia e estou ansiosa pois tenho receio de não me fazer entender. Ainda estou organizando a festa junina aqui do trabalho e desejando que seja uma tarde realmente festiva e agradável. Não estou reclamando pois isso tudo significa viver.

Mas vamos lá.Quanto tempo não indicava um livro. Tenho lido muito, sempre, porque nem consigo me imaginar sem um livro nas mãos, na bolsa, por perto,  para aproveitar qualquer tempo livre. Arrumando meus armários encontrei um livro que o Vitor comprou em uma Feira de Livros que aconteceu na escola que ele estudava, no ano de 2002. É um livro todo interativo, uma graça. O título é A Ideia Luminosa de Edison: a história da invenção da lâmpada. Os autores são T. Lakner e B. Jelenkovich (infelizmente o livro nada fala sobre os autores). Crianças e adultos ficam encantados com a história de Thomas Edison contada de forma lúdica.

A capa do livro


Com exemplos práticos, os autores  mostram a ideia genial de Edison, sua importância e utilidades. Em cada página há um pequeno botão vermelho que acionado nos permite acender uma luz. 


A gente consegue abrir a porta do carro e acender a luz do farol do carro

Acender o abajur e cobrir a criança que lê em sua caminha.

É um livro encantador e Vitor está sempre disposto a emprestar para crianças cuidadosas que gostam de livros. As vezes emprestamos  para mães que gostam de ler para seus pimpolhos.
Andei procurando por livrarias um outro exemplar para presentear, mas encontrei somente um usado na Estante Virtual. Não é uma ótima e linda sugestão de leitura?

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cintia Arruda na Série Eu Também Sei Cozinhar

Conheci a Cintia do Meu Cantinho em janeiro desse ano num encontro de blogueiras no MAC em Niteroi- RJ. Entre uma conversa e outra ela nos falou de um pão maravilhoso que aprendeu através de uma portuguesa, dona de um restaurante. Como adoro pão, fiquei insistindo com a Cintia para me enviar a receita. E claro, pedi permissão a ela para postá-la aqui e partilhar com vocês na Série, Eu também sei cozinhar. ´


Essa é a foto do Pão Saloio que a Cíntia me enviou

A Cíntia é uma menina/mulher linda. Parece uma boneca delicada, mas sei que é forte, guerreira e adora cozinhar coisas gostosas para sua família. Então vamos lá:

PÃO SALOIO

Grau de dificuldade: Fácil
Tempo de preparo: Até meia hora
Rendimento: 4 pães

Cíntia me diz que  a culinária portuguesa tem seus truques e segredos. No livro "Cozinhar É Preciso", Henriqueta Henriques, a Dona Henriqueta, proprietária do restaurante Gruta de Santo Antonio, em Niterói, divide alguns deles com os amantes da cozinha lusitana. Nesse livro a  cozinheira apresenta receitas clássicas e tradicionais e mostra os primeiros pratos que fizeram sucesso entre seus clientes. Premiado, foi vencedor do Gourmand World Cookbook Awards em 2008, um dos mais cobiçados da área gastronômica no mundo.

O livro da Dona Henriqueta

A obra narra a trajetória de Dona Henriqueta e de seus filhos, Alexandre e Marcelo, à frente do estabelecimento e traz o modo de preparo de pratos incríveis e saborosos. O pão saloio, apresentado a seguir, era feito pela mãe de Henriqueta. Na época, "era cozido no forno a lenha". O Gruta de Santo Antonio assa o pão diariamente.

Fachada do Restaurante Gruta de Santo Antônio
Imagem daqui

Cíntia e o seu marido Mariano jantando
no Restaurante Gruta de Santo Antônio

Mas vamos a Receita do Pão


Ingredientes
3 1/2 xícaras de água
2 colheres (café) de sal
1 colher (sopa) de óleo de soja
1 tablete de fermento Fleischmann
1 colher (sopa) de manteiga
1kg de farinha de trigo Rosa Branca Premium

Modo de preparo: Amorne a água e junte o sal, o óleo, o fermento e a manteiga, mexendo com uma colher de pau. Quando os ingredientes estiverem derretidos, adicione a farinha de trigo e amasse durante 15 minutos, no mínimo. Cubra a massa com um pano, faça o sinal da cruz e reze. Deixe a massa descansar por 2 horas. Modele os pãezinhos, leve-os à geladeira dispostos em um tabuleiro e deixe-os descansar por 2 horas. Aqueça o forno a 180ºC. Retire os pães da geladeira e leve ao forno para assar. O choque térmico é importante para a massa.

Utensílios necessários
colher de pau
tabuleiro
bacia para amassar
pano de prato

Segredinhos
Pão saloio, em Lisboa, quer dizer pão da roça. O pão só está bem cozido quando fica leve. Fica ainda mais saboroso se descansar por 12 horas na geladeira antes de assar. Na Gruta de Santo Antônio, faz-se sempre o pão nosso de cada dia. Se você quiser tornar esta receita ainda mais portuguesa, enquanto espera a massa descansar, faça a reza do pão, de acordo com a tradição dos Montes:

Deus te levede
Deus te acrescente
Deus te livre
De má gente

Costumo fazer a massa, modelo os paezinhos em tamanhos pequenos, um pouco maior que pão frances (a massa cresce) e asso somente na hora de comer, no forno baixinho, por 35 a 45 min, depende do forno, pode deixar a massa, que não usar guardada na geladeira, por no máximo 3 dias. Experimente e me fale, ele fica crocante por fora e macio por dentro.

Cìntia obrigada minha querida,  por tanto carinho e gentileza.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Na Esquina do Tempo, nº 50



Acabei de ler o livro da querida Glorinha. Em cada capítulo precisei parar para refletir e pensar pois em cada palavra  senti como se falasse com minha alma. Glorinha se desvenda aos leitores através dos contos e das mulheres que descreveu. Nos presenteia  se desnudando mas também nos convida  a olhar para dentro de nós, para que  possamos nos conhecer, perceber nossos limites e a nossa força.

Para mim é realmente um livro de reflexão, que nos apromxima dessa amiga tão querida, mas que antes de tudo,  nos revela a mulher ou as mulheres que somos. Como já disse uma vez aquim, Glorinha é Glorinha, uma mulher que transforma palavras em poemas, que transforma  pingos e pontos em presentes.

Então quem sou eu para falar qualquer coisa sobre essa escritora, que tem o dom da escrita, que se expressa com maestria. Mas peço licença para dizer que  "Na esquina do tempo,nº 50" nos leva a reconhecer que temos um endereço comum, um lugar que em algum momento de nossas vidas, todas nós, nos econtraremos. Parabéns Glorinha!!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um Novo Tempo Para Glorinha


Hoje todas as preces, energias positivas, carinhos e desejos de muitas coisas boas vão para Glorinha Leão, escritora e amiga que apresenta e publica seu primeiro livro: Na esquina do tempo. nº 50.

É um novo tempo para essa mulher linda, talentosa e corajosa, que se aventura pela escrita com a mesma paixão que a move, a mesma paixão que faz  chorar, sonhar, rir e viver. Parabéns Amiga!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Hoje é Dia de Esquecer um Livro

O meu escolhido para esquecer e assim presentear alguém é O amor nos tempos do cólera de Gabriel Garcia Marquez. Esse exemplar que tenho há muitos anos está bem velhinho, bastante surrado. Mas sei que é uma leitura muito prezerosa pois trata-se de um romance marcante desse autor colombiano.

O amor nos tempos do cólera narra uma história passada no início do Século XIX na América Latina. É uma narrativa do amor de Florentino por Firmina que ultrapassam 53 anos quase sem nenhum contato (na realidade, 53 anos, quatro meses e 11 dias, como faz questão de contabilizar nosso narrador). Texto daqui

Meu bilhete fiz com papel vergê, gramatura 180, para que sirva de marcador de páginas. Vou esquecer o livro num banco da praça, mas certamente  O amor nos tempos do cólera é uma leitura difícil de ser esquecida.



O movimento dia de esquecer um livro foi proposto pelas queridas Luma do Luz de Luma e Isadora do Tantos Caminhos.
 
Não poderia terminar esse post, em que tratamos da disseminação da leitura e consequentemente de construção do cidadão, de uma nova história, de um mundo novo, sem lembrar do acontecimento de ontem no RJ. Muita tristeza, mas também a constatação de que há muito por fazer e talvez a primeira coisa, após pensar no fortalecimento da família e de dirigir um novo olhar ao outro,  seria repensar a questão do desarmamento.
 

terça-feira, 1 de março de 2011

Casa de Ferreiro, Espeto de Pau

Em meados do ano passado fiz uma visita a escola do meu filho mais novo. Ao chegar a recepção me deparei com vários paineis com trabalhos sobre o livro "Vidas Secas" de Graciliano Ramos. Em vários banners os alunos explicavam através de figuras, frases e  pequenos textos,  suas impressões e interpretações a respeito dessa obra.  Fiquei maravilhada e me reportei aos anos de 1977 ou 1978, quando, adolescente, também li e me apaixonei por esse escritor. Surpresa maior ainda quando li em um dos paineis o nome do meu filho como um dos autores do trabalho.


Cheguei em casa feliz da vida e fui então comentar com ele  da minha alegria em saber que havia lido "Vidas Secas". Numa empolgação só, fiz uma avalanche de perguntas: o que achou da história? Da situação dos nordestinos, da seca , do papagaio de estimação  que serviu de alimento para a família, da morte  da cadela Baleia? Meu filho olha pra mim atônito com tantas perguntas e antes que eu continue, fala em alto e bom som: mas eu só li o segundo capítulo. O que? Só um capítulo, por que? Ele responde na maior tranquilidade:  porque meu grupo precisava apresentar somente o segundo capítulo mãe.

Ai gente que vontade de chorar. Como pode uma coisa dessa? Não consegui transferir para esse filho minha paixão pela leitura. Poxa ler só um capítulo pra fazer o trabalho e pronto. Tudo bem, vc pode me dizer que Vidas Secas é um romance que não prende a atenção dos jovens de hoje, que a realidade do Nordeste está muito além da problemática e do universodos nossos adolescentes e por esses motivos meu filho não leu e não se interessou pelo livro. Mas gente, vou  falar a verdade, ser bem realista, meu filho não lê nada, a não ser que seja obrigado. Sei lá, me deu uma tristeza, um sentimento de fracasso. Pode ser exagero, mas foi assim que me senti.

Enquanto isso, depois de uma parada para outras coisas igualmente prazerosas, volto à leitura de mais um do Zuenir. Livro, que ao final de cada capítulo me obriga a parar, pensar, refletir e me invade um desejo enorme de ter conhecido os personagens. Leitura pra mim é isso, lazer, trabalho, prazer, vida.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chico Mendes: crime e castigo


Acabei de ler o livro do Zuenir Ventura, Chico Mendes: crime e castigo, e fiquei com aquele gostinho de quero mais ou com aquela sensação de que a história não acabou. Acredito literalmente que a história não tenha acabado mesmo. Afirmo isso sem nenhum discurso panfletário, mas considerando que a luta de Chico Mendes, e consequentemente sua morte,  trouxe ao mundo um novo olhar sobre os povos da floresta.

Imagem: ebah.com.br

A querida Beth, do Mãe Gaia, sugeriu no post passado, que eu comentasse o livro do Zuenir  e então aqui estou.

A obra trata de reportagens do Zuenir feitas na ocasião do assassinato do Chico Mendes em 1988 e  na época do julgamento, dois anos depois. Em 2003, ao saber do interesse da Editora em publicar um livro com essas reportagens retornou ao Acre (Rio Branco e Xapuri) para  apurar e relata o que aconteceu com  os personagens envolvidos no episódio.


Adorei retomar toda a história de vida do ambientalista e mais ainda sua ideia de um novo olhar sobre a floresta. É perfeita a descrição de Zuenir a repeito do homem, grande líder que chamou, de forma inusitada e inteligente, a atenção do mundo para a causa dos seringueiros e dos defensores da Floresta Amazônica. 

Imagem: fmanha.com.br

Claro que Zuenir não é imparcial nas reportagens que fez. Mas quem o foi  ao tratar de assuntos como,  seringueiros, Floresta Amazônica, Ecologia, Chico Mendes? A impressão que temos é que só havia dois lados: o dos fazendeiros latifundários ou o dos ecologistas. Zuenir deixa claro que de que lado está, mas acima de tudo revela um Chico Mendes, inteligente, estrategista, pacifista, que mais que um pedaço de terra para os seringueiros defendeu uma Floresta preservada para todos.

"Só depois que ele morreu, aos 44 anos, é que o Brasil descobriu haver perdido o que custa tanto a produzir: um verdadeiro líder." Zuenir Ventura

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Livro Também é Obra de Arte

No dia que voltei ao trabalho recebi, no Centro de Documentação, um Missal Romano de 1908 para o acervo do nosso Museu. Apesar de ter pouco mais de 100 anos (há livros mais antigos e até mais importantes)  a beleza de sua encadernação e impressão nos obriga a conservá-lo.

A capa em madeira, forrada com tecido de algodão é ornamentada com cantoneiras e enfeites em renda de ferro e pedras. As pedras desse livro podem ser ametista, mas necessito de uma avaliação mais profissional para afirmar. Até o Renascimento os livros eram guardados deitados e não em pé como vemos hoje nas estantes. Então a pedra incrustrada, nesse caso, protegia a capa do livro porque o deixava acima da superfície.

A ametista é uma pedra muito usada em ornamentos religiosos. Sua cor está associada a penitência, a piedade  e a humildade. Na Idade Média acreditavam que essa pedra encorajava o celibato e  ela se tornou símbolo da espiritualidade. Por isso muitos paramentos da Igreja Católica foram ornamentados com a ametista.

No século XV surgiu a imprensa e o livro foi muito difundido. A encadernação tomou  importância de obra de arte  e seu mercado cresceu muito deixando de ser uma exclusividade dos monges. Foi um tempo em que cresceram os ateliês privados de encadernações.

O livro que recebi foi impresso em 1908, como mostro na foto acima,  em Latim,  na Europa. No enchimento da contra capa encontrei papeis escritos em alemão. Encontra-se bem conservado,  porém com vestígios de umidade. O próximo passo será higienizar todas as sua partes (capa, lombada, páginas), procurar todas as informações possíveis a respeito dessa obra (tipo de material usado na impressão e encadernação, tipo de papel, para que e onde serviu, como chegou aqui),  fazer pequenos reparos e só então colocá-lo nas prateleiras (protegido por vidros) de exposição do Museu Arquidiocesano para apreciação pública.

 
Há ilustrações belíssimas em muitas de suas páginas. Considero importante que o povo veja um livro que foi usado nas Missas até antes do Concílio Vaticano II no início da década de 1960.

Está perfeita, apesar da péssima foto que fiz, a douração em suas bordas. Esse tipo de capa ainda era feita por artesãos no final do século XIX. Portanto é bem possível que alguém tenha encomendado um trabalho desse no início do século XX a um especialista em encadernação.

 Lendo e estudando sobre o assunto percebo que ainda preciso aprender tanto. Mas agora é arregaçar as mangas, calçar as luvas e mãos a obra, literalmente.

Fontes:

BECK, Ingrid - Manual de Conservação de Documentos. Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, 1985
Funart, Rio, 1988;CASTELLO BRANCO, Zelina - Encadernação História e Técnica. Editora Hucitec, São Paulo, 1978.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Tempo Curto, Mas a Leitura está em Dia

Gente, hoje dou o ar da graça aqui e pretendo também fazer as visitinhas , deixar os comentários, enfim, seguir a vida normal de blogueira. Tanta coisa acontecendo e eu no meio de papéis antigos e mofados ( eu gosto, não do mofo, dos papéis antigos). fazer o que, trabalho é trabalho.

Bom, primeiro, convido para uma visitinha aqui , onde dei as caras num trabalho de conclusão de uma disciplina do Curso de Jornalismo da UFES, do meu  amigo Alexandre Lemos. É rapidinho!!!

Agora, devo dizer que apesar da correira não posso ficar sem leitura. O tempo reservado para ler é o tempo em que ficaria olhando para o nada a espera e dentro do ônibus.


Esse livro é do antropólogo Roberto da Matta e analisa o porque estamos vivendo em cidades caóticas, no que diz respeito ao trânsito. “Na rua, a democracia e o bom senso ali requeridos se invertem, e a maioria descobre, sob pena de ser sistematicamente agredida ou perder a vida, que aquele espaço pertence aos que estão dentro de seus respectivos veículos ou montados em suas motos”. Esse livro é resultado de uma análise sobre o trânsito encomendada pelo governo do Estado do Espírito Santo. Estou adorando a leitura e compreendendo muitos comportamentos que vejo no dia-a-dia, na relação carro/pedestres.



Aguardando na fila está esse estudo que conta a trajetória das mulheres, do Brasil colonial até nossos dias, voltando-se a todos os tipos de leitores e leitoras: adultos e jovens, especialistas e curiosos, estudantes e professores, arrastando-os numa viagem através dos tempos. Obra organizada por Mary Del Priore - da qual participam duas dezenas de historiadores além da consagrada escritora Lygia Fagundes Telles - mostra como nasciam, viviam e morriam as brasileiras no passado e o mundo material e simbólico que as cercavam. Percebendo a história das mulheres como algo que envolve também a história das famílias, do trabalho, da mídia, da literatura, da sexualidade, da violência, dos sentimentos e das representações, o livro abarca os mais diferentes espaços (campo e cidade, norte e sul do país) e extratos sociais (escravas, operárias, sinhazinhas, burguesas, donas de casa, professoras, bóias-frias). Também não se contenta em apenas de separar as vitórias e as derrotas das mulheres, mas derruba mitos, encoraja debates, estimula a reflexão e coloca a questão feminina na ordem do dia. Sucesso de público e de crítica, HISTÓRIA DAS MULHERES NO BRASIL já chegou a 20 mil exemplares vendidos, além de ter ganho os prestigiados prêmios Jabuti e Casa Grande e Senzala. Sinopse daqui.

Espero que gostem de minha dicas. São leituras agradáveis e cheias de informação. Beijos

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ainda Sobre o Cuidado Com os Livros

Gente, fiquei sem tempo para postagens pois estava com a casa cheia de visitas no feriadão. Mas adorei os comentários a repeitos das dicas que deixei para proteger e cuidar dos livros. Algumas pessoas confessaram que dobravam a ponta da página como marcador, o que maltrata demais nossos queridos.

Imagem daqui
O livro é feito de papel é papel, de fibras. Quando dobramos o papel as fibras se quebram, porque as ligações que mantêm o papel em sua forma original são rompidas com as dobras  e certamente no futuro aquele pedacinho dobrado se rasgará causando  dano, muitas vezes irreversível,  para o livro.

Imagem daqui
Marcar livro com  post-it, como vejo muita gente fazer, também não é o ideal. A colinha que vem no produto não faz nada bem ao livro. Com o tempo ela vai manchar e marcar a página. Além disso, é bom você saber que, caso seu livro sofra um ataque de traça, cupim ou broca, esses xilófagos adoram essa cola que está também nas fitas adesivas.

O ideal mesmo é marcar a página do seu tesouro (o livro) com  marcadores de páginas. Pensando na preservação as livrarias oferecem marcadores gratuitamente quando você adquire um livro. Algumas bibliotecas  oferecem os marcadores que também funcionam como um lembrete para a data da devolução.

Olha que graça esse simples em origami de tecido, da Nídia telles, veja PAP aqui


Olha esse da Monalisa em ponto cruz. O PAP está aqui em um blog de Portugal. Mas na net você encontra outras receitas mais simples de marcadores de livros com esse bordado.


Olha que fofura esse aqui feito com CD que iria para o lixo. Estão a venda aqui
Na net há vários PAPs e moldes parecidos


Tem também os divertidos. Esse aí combina com um romance policial. Achei aqui


E esses de silicone, "sangrando", achei aqui


Aqui mais um dos meus. Esse feito especialmente para a Nilce que venceu o sorteio de um ano do Bordados.

Agora as ideias e dicas estão aí. Alguém ainda vai dobrar a ponta da página para marcar a leitura? espero que não. Beijos

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Como Proteger um Livro


Gente, o post sobre o dia de esquecer um livro rendeu. Várias pessoas comentaram sobre o marcador de livros que criei para deixar o recado e proteer o livro. Para quem não sabe trabalho justamente fazendo isso, protegendo informação em suportes como papel principalmente. Sou vidrada nesse assunto e cada dia descubro maneiras e maneiras de proteger nossos amigos livros de ataques de cupins, brocas, traças, umidade, e de seu pior agressor, o próprio homem. Sim o maior destruidor de livros e acervos é o usuário/leitor.


Portanto já deu pra perceber que adoro um marcador de páginas. Confecciono uns em tecidos, feltros, miçangas, personalizados,  bordados. Tambem  pego os das promoções em livrarias, compro outros . Se você tiver um marcador bacana, diferente, pode me mandar pra eu aumentar a minha coleção.


Então agora vão as dicas para proteger/conservar seus amigos livros:

* Não use grampos, clips, elásticos para marcação de páginas;

* Não colar contact e fitas adesivas para fazer reparos, como colar lombadas ou paginas rasgadas;

*Não faça grifos ou anotações nas páginas;

*Não dobre as pontas das páginas ou mesmo o livro ao meio;

*Não vire a página com a ajuda da saliva (eca! Já pensou quantas bactérias, fungos  você pode pegar do livro e o ele (o livro) de você ao fazer isso?

* Nunca alimente-se ou fume sobre o livro;

*Não manusear o livro com mãos sujas, engorduradas, com excesso de cremes, perfumes, etc;

* Não expor os livros ao excesso de calor e umidade. Cuidado com o sol batendo sobre os seus livros na estante;

* Só retire o livro da estante pela parte superior da lombada.

Ah, mais uma coisa, sabe aquela orelha com a sinopse do livro? Aquilo não é um macador de páginas e se você usá-la como tal destruirá a capa do seu livro em pouco tempo.


Espero ter ajudado. As dicas parecem exageradas, mas pense em cada aluno ou usuário, numa biblioteca escolar ou pública, usando o acervo, onde estão guardados livros preciosos, sem observar esses cuidados mínimos. Certamente a memória cultural do nosso povo estará comprometida (mais do que já está) em pouquíssimo tempo. Beijos