Mostrando postagens com marcador Nome. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nome. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ressonâncias do post da Tati nas minhas memórias

Não sei se esse mundo está são
Mas pro mundo que eu vim já não era
Meu mundo não teria razão
Se não fosse a Zoé
(verso da música Espatódea de Nando Reis)


Lendos os blogs e fazendo as visitinhas costumeiras me deparo com o lindo post da Tati do Perguntas em Respostas sobre a música que Nando Reis fez para a sua filha Zoé. Digo que o texto e a música fizeram soar lembranças guardadas dentro de mim. Ainda outro dia escrevi a história do meu nome e porque me chamo Giovanna Marcia Valfré (leia aqui). Escrever sobre essa história me fez um bem danado e no final daquele texto prometi que um dia contaria como se conquista o coração de um pai.

A Zoé do Nando Reis já nasceu com o dela conquistado. O amor de seu pai declarado no fazer cotidiano e eternizado na música Espatódea. Cliquei no vídeo do Nando cantando a música e ao ouvir declaração tão linda de amor não há como escapar das lembranças. Não foi possível esquecer, ouvindo a música, que  num processo na justiça ou com um exame de DNA você pode conquistar  o nome, a pensão alimentícia e outros direitos,  mas juiz nenhum pode obrigar um pai a amar sua filha ou seu filho.

Meu pai aos 30 anos

Cresci assim, nessa ausência de pai, da figura protetora do pai. Tive tios e avô mas sempre ficou muito claro para mim que eles não eram meus pais e nem iriam substituí-lo, por mais que me amassem. Cresci sentindo que faltava alguma coisa na minha vida e o pior, sabendo onde morava, como vivia e como se chamava aquele que faltava lá em casa no dia-a-dia.
.
Quando eu tinha 12 anos meu pai se casou e a distância entre nós aumentou. Tive certeza que as prioridades  dele eram outras e que a partir daquele momento ele iria construir a sua família. Enquanto meus irmãos eram cuidados e paparicados com tudo o que há de melhor, minha mãe matava um leão por dia para me alimentar. Faltava muita coisa pra mim mas a ausência desse pai,  a necessidade que eu tinha de alguém que me chamasse de filha, me protegesse, era como se um buraco estivesse aberto em meu peito. Sonhava com almoços de família e me assustava com a imagem de uma cadeira vazia na mesa.  

Durante muito anos o ressentimento de minha mãe me ensinou que um dia eu daria o troco. Não o convidaria para minha formatura e quando casasse, entraria sozinha na Igreja, como uma orfã. Parece exagero mas era isso mesmo que ela falava, tamanha a sua mágoa. Fiz tudo ao contrário porque não nasci para guardar mágoas e porque tinha certeza que o tempo explicaria tanta coisa, abrandaria outras tantas e curaria feridas.

Casamento e Formatura

Quando fiquei grávida a primeira vez, ele se aproximou muito de mim. Isso devo ao meu filho que, sem saber, trouxe o avô para ser o pai sonhado de sua mãe. A partir de então sempre esteve presente ajudando, colaborando, sendo pai e avô e construindo laços que deveriam ter sidos formados há tempos atrás. O próprio tempo provou que ainda era possível fazê-los.

No aniversário de 1 ano do Vinícius

Com essa história, real e pessoal descobri que a mãe (a maioria delas) pode perder o filho, mas jamais esquecê-lo. Terá outros e jamais substituirá o filho perdido. O pai, inversamente aos sentimentos da mãe, precisa construir a cada dia seu amor pelo filho. Se não houver esse "a cada dia", as relações ficam prejudicadas. Permito que discorde de mim aquele ou aquela que assim o quiser.

Hoje os sonhos do passado se realizaram e nos domingos a presença constante dele nos almoços lá de casa provam que o tempo explica tanta coisa. Outras,  o amor e o perdão,  nos fazem esquecer. Talvez esteja aí o passo a passo para conquistar o coração de um pai.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Meu nome: direito e conquista

                                                        
Imagem da Net

Uma das coisas que decidi logo que fiquei grávida dos meus filhos foi o nome  que daria  a cada um. Aliás, decidi não, decidimos, marido e eu decidimos juntos. Deixei de lado preferências  que eram só minhas e ele teve qua abrir mão das suas também para chegarmos a um consenso. Daí nasceram Vinicius e Vitor. A escolha do nome é realmente uma tarefa mais que especial delegada aos pais. Mas porque estou escrevendo isso? O post sobre a minha mãe rendeu mais do que palavras. Rendeu além de comentários carinhosos e abraços virtuais afetuosos, lembranças que estavam guardadinhas numa caixinha que trago dentro de mim.

Eu aos quatro anos

Lembrei da história do meu nome. Sim, meu nome tem história e como tem. Alíás não nasci Giovanna e nem sempre me chamei Giovanna Marcia Valfré. Acho que já falei que sou filha de mãe solteira e isso em 1964 era quase uma maldição. Naquele tempo não havia justiça que obrigasse um homem a assumir com responsabilidade o filho que gerou. Não havia teste de DNA para provar a paternidade e eu só contava com a coragem e a certeza de minha mãe de que eu era realmente filha de meu pai. O suposto pai não queria assumir, de jeito nenhum. Garotão, irresponsável, mimado. Fazer o que? A mãe barriguda, difamada, expulsa de casa foi a luta. Teve a filha sozinha com a ajuda escondida de alguns (pouquíssimos) amigos e parentes. Na saída do hospital ela resolveu que me chamaria  Marcia. Então alguém disse, "vamos ao cartório registrar  criança" e ela respondeu que não, que iria esperar mais um pouco pois sem certidão de casamento nas mãos a filha não teria direito ao sobrenome do pai. Sem certidão de nascimento, vou ao médico, ao posto de saúde, à escola...assim mesmo sem existir oficialmente.


No colo dela

O pai continuava batendo o pé, "não registro, não é minha filha", apesar da semelhança revelar o contrário. Quando precisava escrever meu nome, escrevia  Marcia Nicolau (sobrenome dela), mas ela na sua imensa sabedoria, coragem e certeza me ensinou também a escrever o sobrenome que estaria grafado no meu futuro registro de nascimento. Quando estava  terminando o curso Primário (atualmente a quarta série do Ensino Fundamental) a diretora da escola mandou chamá-la para dizer que a situação era  insustentável. Ou ela apresentava meus documentos ou eu teria que deixar a Escola. O que fazer? Desespero e desânimo ameaçaram sua coragem. Mas ela, altiva como sempre foi, decidida e forte  como uma rocha,  foi  até  onde estava o meu pai, contou a história, o ultimato da diretora e ele sem qualquer questionamento, sem nenhuma discussão, levantou de onde estava sentado, se arrumou e foi  ao cartório junto com ela providenciar a minha certidão de nascimento (vai entender!!). A minha avó Beatriz (um doce de pessoa), antes que eles saíssem fez um pedido, que eu tivesse o nome dele, para quem sabe, amolecer o seu coração, ajudá-lo a tomar juizo e a assumir de verdade a filha. Terminou a tarefa dela (minha mãe) no que diz respeito ao meu registro civil, iniciou a minha. Com certidão nas mãos cheguei  a escola e a minha professora, tia Ana, perguntou: você já sabe escrever seu nome novo? Respondi que sim e escrevi: Giovanna Marcia Valfré. Giovanna o feminino de Giovanni (o nome dele conforme pedido de vó Beatriz), Marcia, o nome escolhido por minha mãe e como eu já era conhecida e Valfré o sobrenome dele.


Foi assim, com a paciência e a coragem da minha mãe que conquistei o direito ao nome. Entretanto conquistar o amor desse pai foi uma outra aventura que certamente ainda contarei nesse blog.

Aos queridos e queridas que passam por aqui deixo o meu abraço carinhoso.