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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O ORGULHO de educar pelo exemplo

Orgulho é um sentimento bom. Estou falando de algo positivo, satisfação de si próprio, é um "sentir que valeu a pena",  a coroação de um esforço.
Vitor e Vinícius com 8 e 13 anosa

Fiquei pensando sobre o que escrever sobre o assunto. Aliás todos os sentimentos foram tão difíceis de escrever pois mexem, de alguma forma, muito conosco, com quem somos, com nossas fragilidades. Então lembrei de um fato que me aconteceu anos atrás e acho que ilustra bem ORGULHO. Claro que vou falar em orgulho de mãe.

Quando o Vitor tinha 8 anos  e o Vinícius 12, estudavam na mesma escola e estavam respectivamente na 3ª e 7ª séries do Ensino Fundamental. Nessa época eu estava muito envolvida com um trabalho,  pela aprovação da Lei 9840 no Congresso Nacional. Participava do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e precisávamos colher 1 milhão de assinaturas para que a primeira lei de iniciativa popular fosse aprovada e conseguimos. A  lei 9840 tornou crime a compra de votos. Então lá em casa esse assunto era tema do café da manhã, do almoço e do jantar. Porém nunca percebi que os meninos estavam entendendo o que tudo aquilo significava para mim, para a minha geração, para eles, para o nosso Estado do Espírito Santo e para o Brasil.

Certo dia, o Vitor chega em casa e me conta que não poderia votar na chapa do irmão dele para o Grêmio Estudantil. Mas por que? perguntei. Então ele me explicou que o grupo que formava a chapa do Vinícius havia entrado na sua sala e pedido votos, mas no final do discurso deixou um pacote de balas para cada criança. Vitor então achou melhor jogar as balas fora (achei isso impressionante) mas um coleguinha pediu e ele deu o pacote e disse que não votaria naquela chapa. Mãe, isso é corrupção, né? respondi: é sim meu filho, apesar de ser a eleição do Grêmio Estudantil, é sim. Tem como não morrer de orgulho?


Imagem daqui
Fiquei preocupada achando que o Vinícius estava envolvido naquilo. Pensei: meu Deus tanto trabalho pra fazer as pessoas entenderem que vender o voto é vender a cidadania, a esperança e não me preocupei com meus filhos. Se eles aceitam vender ou comprar o voto agora, o que será que farão quando forem eleitores? Quando oVinícius chegou em casa, relatei a história que o Vitor havia me contado. Ele foi logo me explicando que não estava mais participando da chapa. Perguntei o porque e ele me disse que quando os colegas chegaram com a proposta de entregar balas pedido votos ele foi contra. Mãe eu falei, isso é compra de votos, é errado e até é crime. Não me deram ouvidos, falaram que eu era bobo e que eleição de Grêmio não é igual eleição mesmo e que então não tinha problema em trocar balas por votos. Como não concordei de jeito nenhum e eles não voltaram atrás, saí da chapa. Por isso nem fui nas salas visitar as turmas . Vitor viu os meus colegas mas eu não estava junto. Tô fora mãe!

Gente se o meu trabalho não convencesse mais nenhum eleitor a não vender o voto, eu já estaria feliz com o resultado. Sem nunca ter conversado sobre o assunto, apenas por que testemunharam a minha luta, sentiram a minha falta em casa tantas vezes, quando fui dar palestras, recolher assinaturas, sensibilizar as pessoas, entenderam a essência do trabalho. Fiquei muito orgulhosa dos meus pimpolhos aquele dia. Por isso que hoje, apesar dos pesares, de todos os problemas, sei que o que é importante para formar um homem de bem, está gurdadinho no coração deles.

Essa foi minha participação na Blogagem Coletiva Sentimentos proposta pela Glorinha do Café com Bolo.