Todos os dias tomo o café da manhã no meu trabalho e por esse motivo passo na padaria aqui perto e compro o meu pãozinho francês (somente o pão da tarde é fornecido pela empresa - justamente o que eu abro mão). Frequento essa padaria há muito tempo. Lembro que quando meu filho Vinícius, que hoje tem 20 anos, estava na creche, todos os dias entrávamos nessa padaria para comprar um iogurte ou outra guloseima pra ele, que estava, na época, com apenas dois anos. A dona da padaria hoje tem mais de 80 anos e para fugir de uma depressão após a morte de um de seus filhos ainda trabalha lá. Um pouco lenta, demora no troco, mas está sempre alegre, trata com carinho todos os fregueses. O marido fica no balcão, o filho na gerência e são ajudados por padeiros e outros profissionais que preparam lanches e atendem a clientela também.
Outro dia passei lá e vi umas caixinhas de queijo que iriam para o lixo. Com o meu lado artesã em alta, pedi a caixa pra fazer decoupage e ela me deu. Isso foi na quinta feira e como não tive tempo de mexer com elas, ficaram num canto lá em casa até meu filho perguntar pra que serviam e encontrar um bolo de dinheiro dentro de uma delas. Estavam lá amrradinhos, mais de R$ 300,00 ( não sei o valor certinho, pois não abri o pacote e não contei o dinheiro).
Imagem daqui
Fiquei nervosa e preocpada, pois sei que o filho dela acha que a mãe deveria deixar esse trabalho, pois está idosa, desatenta e também porque é muito boa, atende os pobres que vão lá com fome, sem dinheiro para um pãozinho. Mas na segunda feira, mesmo sendo um dia que não precisava vir ao centro de Vitória, vim até aqui entregar o dinheiro. A mulher me agradeceu tanto, ficou até emocionada e eu sem entender o porque dos olhos marejados. Ele me explicou: primeiro porque eu não falei nada com o filho dela que se souber briga feio. Segundo porque ela nunca esperava que alguém devolvesse o dinheiro, que tinha dado como perdido. Perguntou ainda o que ela poderia fazer para me recompensar. Respondi: minha senhora porque recompensar uma atitude que tem que ser regra. O dinheiro não era meu e pronto, nem cogitei a hipótese de não devolver.
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Aí então fiquei pensando que a nossa sociedade concede prêmios a pessoas que fazem o que é certo, o que não é nada mais que sua obrigação. Ser recompensado por ser honesto? Isso deveria ser regra e não exceção. Mas em um mundo como o nosso, os valores se invertem muitas vezes.


