Dia 12 de Março, comemoramos o dia do bibliotecário (a) e o nascimento de Manuel Bastos Tigre, bibliotecário que se projetou pelas suas ações em favor da profissão e dos profissionais sendo o primeiro bibliotecário concursado no Brasil em 1915, exercendo a profissão por 40 anos.

Não me recordo, em toda a minha vida, ter ouvido uma criança declarar que gostaria de cursar Biblioteconomia. Quando criança, decidi ser médica ou professora e só a maturidade me ajudou a escolher com consciência, ser bibliotecária. Nem me lembro também quando exatamente deixei todas as dúvidas de lado e me apaixonei perdidamente pela Biblioteconomia. Qualquer pessoa que ama a leitura terá sempre muito respeito pela minha profissão. Mas muitas vezes me questionam se não é uma profissão um tanto limitada. Perguntam-me se bibliotecários cuidam apenas de livros e se são realmente necessários quatro anos e meio nos bancos da faculdade para aprender a colocar livros nas estantes. Acredito sinceramente que “limitada” é uma pessoa (muitas vezes estudada e graduada) que pensa dessa maneira, com total falta de conhecimento. Tradicionalmente a Biblioteconomia carrega uma atuação preferencial em bibliotecas, mas a sua transformação, ao longo dos séculos, como Ciência da Informação, a levou aos mais diversos campos de atuação. Nossa especialidade se faz presente, nas bibliotecas, cumprindo importante papel social; em empresas, indústrias e organizações gerenciando e organizando o capital-informação, nos ambientes educacionais exercendo a mediação pedagógica ou no campo da pesquisa, contribuindo para a construção do conhecimento científico. De qualquer forma, o que precisa ser lembrado é que atuamos, por competência e formação, gerenciando e organizando informação.

Hoje, quando comemoro, junto com milhares de colegas, o dia do bibliotecário e da bibliotecária posso dizer que sou enormemente feliz na profissão que abracei e sou alguém privilegiada, pois trabalho fazendo exatamente aquilo que escolhi fazer. O mais importante nesse dia 12 de março é unir forças com outros tantos profissionais para que o reconhecimento não seja privilegio de um ou outro. Unir forças para que a história de uma profissão tão antiga no mundo, regulamentada no Brasil em 1962, seja motivadora para a nossa luta pelo reconhecimento e visibilidade dos profissionais bibliotecários. Desejo no dia de hoje autoestima elevada e coragem para enfrentar tantos desafios.
Faço questão de assinar esse post com o número do meu registro no Conselho Regional de Biblioteconomia do Espírito Santo.
Giovanna Valfré
Bibliotecária
CRB 12/557
Para não perder o costume e lembrando que essa semana comemoramos também o Dia Internacional da Mulher quero sugerir o livro, Inés da Minha Alma de autoria de Isabel Allende. Inés Suarez, personagem feminino, forte, denso, apaixonada e apaixonante criada por Allende que lança um outro olhar sobre a história oficial da conquista do Chile. Livro para as mulheres fortes e guerreiras. Vale a pena.
Aos queridos e queridas que passam por aqui deixo o meu abraço carinhoso.