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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vamos contar histórias?

Admiro demais o trabalho de contadores de histórias. Fico fascinada diante de uma pessoa que sabe prender o outro pelo forma de contar e narrar casos. Claro que ao longo da minha vida, ouvi histórias contadas pelo meu avô, minha avó, minha mãe e meus tios, mas nada se compara àquela visão maravilhosa do mágico contador de histórias, que tira do baú os personagens e os enredos, que de alguma forma, se entrelaçam com a nossa vida e o nosso cotidiano.


A primeira vez, já adulta, que vi uma pessoa contar histórias, que foram preparadas ou estudadas especialmente para o momento, senti uma alegria enorme, uma sensação de prazer, que nem consigo descrever. Mais tarde incluí um quadro com narração de histórias em meu programa de rádio, o Povo e Cidadania. O quadro chamava-se "Contando Uma Hstória". Imagine juntar  as histórias maravilhosas, com as vozes lindas dos narradores e os recursos de áudio que a técnica de rádio oferece. Só podia sair coisa boa mesmo. Através desse quadro pude fazer uma pesquisa e comprovar que as histórias colaboram para a formação do ser humano, formam, junto com outros parceiros, homens de bem, pessoas responsáveis, reafirmam valores.

Estou lendo um livro, que peguei ao acaso na biblioteca, chamado "Sonhos de transgressão: minha vida de menina num harém" de autoria de Fátima Mernissi.

Num dos primeiros capítulos, para explicar a força das palavras,  a autora conta que sua mãe didaticamente narrou a história de Scherazade de As mil e uma noites. Em nota de rodapé, Scherazade é descrita como uma corajosa heroína e uma das raras figuras mítica femininas que possúímos. É uma estrategista e uma pensadora com poderosos recursos, que utiliza seu conhecimento psicológico dos seres humanos para conseguir que avancem mais depressa e pulem mais alto.


A história de sherazade nos faz refletir sobre a importância das histórias e como elas podem nos proporcionar confiança, em nós mesmos e nos outros, confiança no outro, na vida, esperança. Podem nos tornar pessoas melhores, mais humanas, assim como transformou o rei Schahriar.


A palavra é poderosíssima e as vezes pode-se perder muito com ela. Pode, a palavra,  arruinar a vida de quem a pronuncia e de quem a ouve. Por isso, a autora relata um conselho de sua mãe, é preciso que cada palavra dê a volta sete vezes por sua língua, estando os lábios bem apertados, antes de você soltar a frase.  Mas também é pelo poder das palavras, juntas com arte, que se salva um reino. Sherazade conseguiu impedir que o rei lhe cortasse a cabeça sem precisar usar mais do que palavras.

Apesar do padoxo, contar histórias é a mais antiga e a mais moderna arte de se comunicar. Os contadores de histórias, como mágicos das palavras, colaboram certamente com uma nova forma de ver e entender o mundo e as pessoas. Vamos contar histórias?